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Vacina oral pode prevenir infecção urinária recorrente por até 9 anos

Descoberta foi de estudo que avaliou, pela primeira vez, a segurança e a eficácia da vacina MV140 a longo prazo

Uma vacina oral ajudou a prevenir infecções urinárias recorrentes, segundo uma pesquisa inicial realizada pelo Royal Berkshire Foundation Trust, do Reino Unido. Segundo o estudo, 54% dos participantes que receberam o imunizante permaneceram livres da doença durante nove anos após a vacinação, sem relatarem efeitos colaterais.

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A infecção urinária é uma das infecções mais comuns na população em geral. De acordo com a Sociedade Brasileira de Nefrologia, a condição atinge, principalmente, mulheres, mas também pode acometer o público masculino. Existem dois tipos de infecção urinária: a cistite, que acomete o trato urinário baixo (uretra e bexiga), e a pielonefrite, que atinge o trato urinário alto (rins).

As infecções urinárias podem ser tratadas com antibióticos, no entanto, quando as infecções são recorrentes, as bactérias podem se tornar resistentes ao medicamento, diminuindo a sua eficácia e aumentando o número de infecções.

Diante disso, os médicos do Royal Berkshire Hospital decidiram estudar a eficácia e segurança da vacina MV140, desenvolvida pela farmacêutica espanhola Immunotek, para combater quatro espécies bacterianas inativadas que causam as infecções urinárias. O estudo foi realizado com 89 pacientes.

A MV140 é uma vacina oral, ou seja, é administrada com duas pulverizações debaixo da língua todos os dias durante três meses. Pesquisadores já tinham estudado anteriormente a sua segurança e eficácia a curto prazo, mas o novo estudo é o primeiro acompanhamento a longo prazo.

“Antes de receberem a vacina, todos os nossos participantes sofriam com infecções urinárias recorrentes e, para muitas mulheres, essas infecções podem ser difíceis de tratar. Nove anos após receberem pela primeira vez esta nova vacina contra a doença, cerca de metade dos participantes permaneceram livres da infecção”, afirma Bob Yang, urologista consultor da Royal Berkshire Foundation Trust, em comunicado.

“No geral, esta vacina é segura a longo prazo e os nossos participantes relataram ter menos infecções urinárias menos graves. Muitos dos que tiveram uma ITU disseram-nos que simplesmente beber bastante água era suficiente para tratá-la”, completou.

A vacina pode ser administrada por médicos de família durante três meses. De acordo com Yang, muitos dos participantes do estudo relataram que a vacinação restaurou a qualidade de vida. “Embora ainda não tenhamos analisado o efeito desta vacina em diferentes grupos de pacientes, estes dados de acompanhamento sugerem que ela poderia ser uma mudança de jogo para a prevenção de ITU se fosse amplamente oferecida, reduzindo a necessidade de tratamentos com antibióticos”, afirma o urologista.

Como o estudo foi feito?

No estudo anterior, os pacientes foram acompanhados por 12 meses e os resultados obtidos em mulheres foram publicados na BJU International em 2017. O novo estudo acompanhou os participantes por nove anos e analisou dados dos registros eletrônicos de saúde da coorte original. Os pesquisadores também entrevistaram os participantes para entender como foi a experiência com a infecção urinária desde receberam a vacina e se houve algum efeito colateral.

De acordo com o estudo, 48 participantes permaneceram totalmente livres de infecção durante nove anos. O período médio livre de infecção em toda a coorte de participantes foi de quatro anos e meio — 56,7 meses para mulheres e 44,3, um ano a menos, para os homens. 40% dos pacientes relataram que repetiram doses da vacina após um ou dois anos.

“Essas descobertas são promissoras. As infecções urinárias recorrentes representam um fardo econômico substancial e o uso excessivo de tratamentos com antibióticos pode levar a infecções resistentes aos antibióticos. Esse estudo de acompanhamento revela dados encorajadores sobre a segurança e eficácia a longo prazo da vacina MV140”, avalia Gernot Bonkat, professor de urologia no Centro Médico de Urologia Alta Uro, na Suíça, e presidente de Diretrizes sobre Infecções Urológicas da EAU (Associação Europeia de Urologia).

“São necessárias mais pesquisas sobre infecções urinárias mais complexas, bem como pesquisas que analisem diferentes grupos de pacientes, para que possamos otimizar melhor a forma de usar esta vacina”, completa. “Embora precisemos de ser pragmáticos, esta vacina é um avanço potencial na prevenção de infecções urinárias e pode oferecer uma alternativa segura e eficaz aos tratamentos convencionais.”

A MV140 está disponível sem licença em 26 países. Os pesquisadores esperando publicar os resultados completos do estudo até o final de 2024.


Link de referência da matéria: https://www.cnnbrasil.com.br

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