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Greve sindical na Islândia ameaça turistas a ficarem “presos” no país

Caminhoneiros e setor hoteleiro reivindicam aumento salarial; falta de alimentos e paralisação geral são alguns dos prognósticos

Na Islândia, localizada na Europa, próxima a países como Groenlândia, Reino Unido e Noruega, uma greve sindical, movida pelos caminhoneiros e pelo setor hoteleiro, coloca a população local — e principalmente turistas — em estado de alerta.

Na última quarta-feira (15), os caminhoneiros de empresas petrolíferas, além do setor hoteleiro (que entrou em greve na semana passada), paralisaram as suas atividades pedindo um reajuste salarial em resposta ao aumento da inflação no país, fortemente impactado pela crise do Euro, mesmo não fazendo parte da União Europeia e da “zona do Euro”.

Em um dos países mais igualitários do mundo e com o maior Índice de Desenvolvimento Humano da Terra (0,959, ocupando a 3ª colocação no ranking), a greve liga um “sinal de alerta” à população local e principalmente a turistas, que correm o risco de ficarem “presos”.


Contexto geral da greve

Por ser uma ilha localizada em uma região próxima ao Polo Norte, ela depende da importação de insumos básicos, como diversos tipos de alimentos, além do petróleo.

E uma das maiores fontes de renda para o país é o turismo, representando quase 10% de todo o PIB. Paisagens vulcânicas, praias com areia preta e visitas para ver a Aurora Boreal são apenas alguns dos passeios.

A greve atinge justamente esses dois setores: o de importação, que leva gasolina e insumos, e o hoteleiro, responsável pelo turismo.

O “epicentro” da greve acontece em Reykjavik, capital da Islândia, e a cidade com a maior concentração populacional da ilha.

“Teve o comitê de negociação e está tendo essa paralisação com mais de 1.700 membros, aí são o setor hoteleiro e caminhoneiros e as consequências vão ser muito grandes”, disse a influenciadora Kellen Bull, que vive na Islândia, à CNN.

“A gente já começou a sentir os efeitos da greve com a gasolina mais escassa, aí as consequências além do transporte, a questão do alimento e a previsão é de que até o final de semana falte alguns mantimentos”, completou.

A FF Expeditions, empresa de turismo focada em brasileiros na Islândia, à CNN, disse que apesar da greve ser nacional, “a ameaça de desabastecimento e falta de mercadorias, por enquanto, se resumem a grande Reykjavik e que no interior, além do grande estoque, os carros possuem tanques de gasolina maiores e, por isso, não estão sentindo, no momento, os efeitos da greve”.

Porém, alertam que “se isso perdurar todos serão fortemente afetados”.


Turistas “presos” e sem hotel

Um dos pontos abordados também por Kellen foi a do ramo do turismo. Com o setor e os principais hotéis fechados, segundo o jornal local Reykjavík Grapevine, a expectativa é que não haja mais vagas de quartos para turistas ainda nesta semana.

Além da hospedagem, outro ponto é a locomoção aos pontos turísticos. Sem gasolina, eles também não conseguirão se deslocar até eles.

Sem hotel e sem locomoção, outro problema que está previsto é que, pela falta de combustível, voos internacionais sejam cancelados já neste final de semana, impossibilitando tanto a chegada quanto a saída de turistas.

Procurada pela CNN, a embaixada brasileira na Noruega (responsável pela jurisdição na Islândia) ainda não respondeu.


Apoio popular e ação do governo

Apesar das consequências graves para a economia, a greve encontra bastante apoio popular, com protestos na rua.

Kellen ainda conta que, com a repercussão, mais movimentos podem aderir ao movimento.

“Está tendo bastante apoio popular, com manifestação nas ruas e a expectativa é de que mais movimentos sindicais adotem a greve”, disse.

Lara Yumi, garçonete brasileira que também vive na Islândia, e participa das manifestações, relatou à CNN também as principais reivindicações.

“Além do aumento do salário, também pedem uma ajuda de custo, já que o custo de vida na capital ficou mais caro e o aluguel praticamente dobrou, mas eles não concordaram. O custo não tem acompanhado os nossos ganhos”, relatou.

Ela ainda contou como estão os protestos na visão política: “A gente tenta ser ouvido pelo governo. A primeira-ministra (Katrín Jakobsdóttir) chegou até a se reunir com um representante nosso, mas não houve avanço. Do ponto de vista político, os três principais partidos da Islândia são contra os movimentos, mas os menores estão apoiando”.



Link de referência da matéria: https://www.cnnbrasil.com.br

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