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Coren-SP condena fala de Fred Nicácio sobre atuação da enfermagem

Médico contou que chegou a se referir à colega de trabalho como "minha enfermeira"

O fisioterapeuta e dermatologista, Fred Nicácio, de 35 anos, protagonizou uma das primeiras polêmicas

do Big Brother Brasil 23, que envolve questão racial e desvalorização profissional.

A fala repercutiu tanto que fez o participante baiano Cezar Black, que é enfermeiro, chorar e o Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP) emitir uma nota de repúdio.

“A enfermagem não raro é vítima de comparações que a subalternizam, mesmo depois de toda sua atuação ser amplamente divulgada nos últimos anos, devido à sua essencial atuação frente à pandemia da Covid-19. Portanto, o Coren-SP condena qualquer fala ou atitude que vincule a enfermagem a uma inferioridade frente a demais profissões e defende o cuidado integrado e respeitoso das equipes multidisciplinares também como uma forma de valorização à categoria”, escreveu o Conselho em nota.

O caso aconteceu quando Fred Nicácio, que estava na piscina com alguns colegas de confinamento, disse que sofreu racismo de uma enfermeira quando ainda era fisioterapeuta e duvidou da sua capacidade de se tornar médico.

“Eu era fisioterapeuta e vi um médico entubando [um paciente] e falei assim: ‘Eu queria fazer isso aí'. Uma enfermeira branca olhou para mim e disse: ‘Sai para lá, menino. Isso daí é só para médico’. Sete anos depois, eu voltei lá e ela foi minha enfermeira. É, tô aqui, doutor Fred Nicácio. Agora eu vou entubar e você vai me ajudar. É assim que a gente trata racista”, relatou.

Mais tarde, em conversa com Domitila, Cezar se disse ofendido pelo colega. Em lágrimas, ele pontuou a importância da profissão: “Isso é uma coisa que brigamos todos os dias. A enfermagem vai estar do dia que você nasce, na hora da UTI, quando você tá internado, sofrendo até quando você morreu. Quem prepara o seu corpo é a enfermagem. Nós somos a primeira passagem quando você vem ao mundo e a última. Então nossa classe é fod*, trabalha mais que todas as outras classes e não tem reconhecimento”.

Sem saber da repercussão fora da casa, Cezar e Fred Nicácio conversaram sobre o assunto. De acordo com o médico, não teve intenção de ofendê-lo ou ofender a classe.

“Jamais colocaria ela em uma posição de menor importância, o universo que se encarregou disso. Ela nunca mais vai falar que uma pessoa preta não pode realizar o sonho dela”, justificou Nicácio.

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