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Como as baleias cantam debaixo da água? Cientistas desvendam mistério

Entender como as baleias vocalizam pode ajudar a obter uma melhor compreensão de como a poluição sonora nas águas marinhas afeta os animais

Arrepiantes, fascinantes e por vezes perturbadores, os cantos das baleias são um dos sons mais misteriosos já ouvidos ecoando pelo oceano.


Como as baleias de barbatanas, que incluem as baleias-jubarte, conseguem cantar debaixo d’água tem escapado aos cientistas desde que os cantos das baleias foram descobertos pela primeira vez há mais de 50 anos.

Enquanto as baleias com dentes, que incluem golfinhos e orcas, desenvolveram um órgão vocal no nariz para produzir som, acredita-se que as baleias de barbatanas usem uma laringe — ou caixa vocal — na garganta para fazê-lo, de acordo com um novo estudo publicado na revista Nature na quarta-feira (21).


A laringe de uma baleia de barbatanas tem uma forma diferente de outros mamíferos. Ela tem cartilagens longas, rígidas e em forma de cilindro que formam uma forma de U. Essa adaptação estrutural permite que o leviatã respire grandes quantidades de ar para dentro e para fora quando sobem à superfície, de acordo com o estudo.

No trato respiratório, os tampões nasais e orais evoluíram para proteger as vias aéreas da água quando o mamífero marinho respira e se alimenta.


Bolsas de ar também evoluíram de uma maneira que pode permitir que uma baleia de barbatanas recicle o ar enquanto produz sons vocais, de acordo com os pesquisadores.

Desvendar como as baleias vocalizam poderia ajudar os cientistas a obter uma melhor compreensão de como a poluição sonora causada pelo homem nas águas marinhas afeta os gigantes marinhos.


Além de documentar gravações de animais na natureza, os pesquisadores conseguiram adquirir uma baleia de sei, uma baleia-jubarte e uma baleia-minke logo após elas terem morrido entre 2018 e 2019 e estudá-las em grande detalhe no laboratório. Esse nível de análise “nunca foi feito antes”, disse o autor principal do estudo, Coen Elemans, professor de bioacústica na Universidade do Sul da Dinamarca, à CNN na quinta-feira (22).

Os cientistas também criaram modelos computacionais das caixas vocais das baleias que simulavam aspectos que não podiam medir no laboratório, como o efeito da contração muscular na produção de som.

Através dessa simulação, os pesquisadores descobriram que a caixa vocal das baleias de barbatanas “possui um mecanismo completamente novo que não é descrito em nenhum outro animal”, disse Elemans.

Entre as estruturas especializadas estava um almofadado gorduroso que vibra quando o ar é expelido dos pulmões, permitindo que as baleias emitam sons de baixa frequência debaixo d’água para se comunicar a grandes distâncias.

Como o oceano é escuro, o som é o principal meio que as baleias têm para se encontrarem e, portanto, acasalarem, disse Elemans. O estudo resolve um quebra-cabeça “para um grupo inteiro de animais realmente icônicos”, acrescentou ele.

“Eles são como os maiores animais que já percorreram este planeta. São super inteligentes, são muito vocais, são muito sociais. E para esses animais, agora descobrimos como eles conseguiram se comunicar tão bem na água. E isso provavelmente evoluiu há uns 40 milhões de anos e permitiu que as baleias hoje fossem bem-sucedidas”, continuou.


Disrupções humanas

No entanto, esse mecanismo “legal” também “limita” as baleias, disse Elemans.

As baleias de barbatanas só conseguiram emitir sons de baixa frequência da superfície da água até uma profundidade de cerca de 100 metros, descobriu a equipe do estudo. Isso ocorre porque as baleias não podem estar muito longe da superfície do oceano, já que precisam de ar para produzir seus chamados, que têm uma frequência sonora máxima de 300 hertz.

Essa profundidade e frequência se sobrepõem aos ruídos produzidos pela maioria das embarcações feitas pelo homem, que atualmente estão muitas vezes entre 30 e 300 hertz perto da superfície do oceano, de acordo com o estudo.

Isso significa que a maioria dos ruídos de barcos mascaram chamados entre as baleias de barbatanas, reduzindo a distância sobre a qual podem se comunicar.

“Realmente precisamos mudar o ruído que fazemos, o tipo de ruído que fazemos, quando o fazemos, onde o fazemos. E esperamos que este estudo possa ajudar a… mitigar o ruído que fazemos”, disse Elemans.

O biólogo evolucionário James Rule, pesquisador associado do Museu de História Natural de Londres que não esteve envolvido na pesquisa, descreveu o estudo como “inovador”, dizendo à CNN na quinta-feira que ele propunha “uma maneira nova das baleias produzirem canções complexas debaixo d’água”.

A descoberta de que as baleias são limitadas na frequência do som que podem produzir “é importante, já que a poluição sonora causada pelo homem no oceano é um problema cada vez maior que perturba a vida dos mamíferos marinhos”, acrescentou ele.


“Isso destaca o papel vital que o estudo e a digitalização da morfologia animal têm em responder a algumas das maiores questões sobre a vida dos animais mais esquivos e misteriosos (do mundo)”, continuou.

Ellen Coombs, bolsista pós-doutorado Peter Buck no Museu Nacional de História Natural Smithsonian, que não esteve envolvida no estudo, disse em um comunicado à CNN: “Muitas populações de baleias de barbatanas estão começando a aumentar em número graças ao fim da caça comercial de baleias pela maioria dos países — mas parece que esses magníficos animais estão agora lidando com o próximo desafio feito pelo homem, e é barulhento”.


O estudo, que “apenas começou a arranhar a superfície”, envolveu animais jovens pertencentes a apenas algumas espécies animais, disse Elemans, acrescentando que sua equipe gostaria de estudar animais adultos em seguida.


Link de referência da matéria: https://www.cnnbrasil.com.br

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