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Cientistas descobrem paisagem antiga em área remota da Terra

De acordo com autor do estudo, região abaixo da camada de gelo da Antártida Oriental é "menos conhecida do que a superfície de Marte"

Uma paisagem antiga escondida sob a camada de gelo da Antártida Oriental durante pelo menos 14 milhões de anos foi revelada com a ajuda de dados de satélite e aviões equipados com radar de penetração no gelo.


Os cientistas utilizaram técnicas de detecção remota para mapear 32 mil quilômetros quadrados de terra — uma área aproximadamente do mesmo tamanho da Bélgica.

Eles descobriram uma paisagem formada por rios antes da formação continental do manto de gelo da Antártida Oriental que outrora se assemelharia às colinas e vales do atual Norte de Gales, de acordo com um estudo publicado terça-feira (24) na revista Nature Communications.


“E isso é um problema porque essa paisagem controla a forma como o gelo flui na Antártida e controla a forma como poderá responder às alterações climáticas passadas, presentes e futuras”, acrescentou.


A natureza bem preservada da paisagem a torna particularmente especial. É raro encontrar paisagens relativamente não modificadas sob uma camada de gelo continental — normalmente o movimento do gelo à medida que flutua em tamanho e se move iria erodir e destruir a paisagem relíquia, disse Jamieson.


O que há sob o gelo da Antártida

Compreender por que razão esta antiga paisagem específica sobreviveu praticamente ilesa poderia ajudar os cientistas a prever melhor a dinâmica futura da camada de gelo da Antártida Oriental, que contém o equivalente a aproximadamente 60 metros de potencial aumento do nível do mar, à medida que o planeta aquece.


O clima da Terra está a caminho de atingir temperaturas típicas daquelas experimentadas quando a paisagem provavelmente se originou, há 34 a 14 milhões de anos — que eram entre 3ºC e 7ºC mais altas do que hoje — de acordo com o estudo.


A camada de gelo da Antártida Oriental formou-se pela primeira vez há cerca de 34 milhões de anos, mas posteriormente teria flutuado em tamanho, revelando por vezes a terra por baixo.

Jamieson disse que a sobrevivência da paisagem implicava que as temperaturas na base da camada de gelo tinham sido extra frias e estáveis ​​sobre estes blocos de terreno antigo, apesar de alguns períodos intermediários de aquecimento climático.


“Em outras áreas, esperamos que haja água líquida, bem entre o gelo e o leito, o que ajuda a remover as coisas. Não temos isso em nossa localidade. Isso explica em parte como algo pode sobreviver por tanto tempo”, explicou Jamieson em entrevista por telefone.


Os dados geofísicos recolhidos pelos cientistas forneceram pistas sobre o que havia sob o gelo de 2 quilômetros de espessura.


“(Os dados) medem efetivamente mudanças muito pequenas na forma do topo do gelo e, basicamente, quando olhamos para isso e desenhamos, parece uma série de vales interligados que devem estar abaixo da camada de gelo. Basicamente, estamos vendo o fantasma daquela paisagem lá de cima”, disse Jamieson.


A equipe de investigação não sabe quais plantas e animais selvagens poderão ter habitado a área, mas a evidência de rios sugere que havia água corrente, tornando altamente provável que a paisagem tivesse vegetação.


Link de referência da matéria: https://www.cnnbrasil.com.br






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